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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007
Fim do estágio da Cova da Moura
 
 
Foi no meio de muitas lágrimas minhas, das minhas colegas e dos alunos que terminei o estágio na Cova da Moura.
 
Em cada lágrima de despedida, era reflectido todos os bons momentos que vivemos com os meninos da Cova da Moura.
Sim… aqueles meninos que em tempos receei e por quem agora me apaixonei…
 

Aqueles meninos a quem eu dediquei cada hora de trabalho em planificações, materiais e todo o esforço que dei pelo meu estágio!
 
Foi em nome deles que eu fiz o meu estágio!
 
Em momentos em que pensava desistir, eram aqueles enormes sorrisos que me faziam mudar de ideias…
 
Quando pensei que não ia conseguir, era neles que pensava para ter força para ir para a frente…
 
Eles foram a minha fonte de inspiração! Eles tomaram conta do meu pensamento, sonhos e fizeram-me viver um dos melhores momentos da minha vida…
 

E é isto que é ser professora…
É esquecermo-nos de nós próprios e entregarmos o nosso coração a crianças que tanto precisam de nós.
 
Ser professora não é apenas ensinar o que sabemos, é converter em carinho tudo o que queremos que as crianças aprendam. Pois os professores só serão capazes de dar aulas boas, se amarem as suas crianças. É por elas que ali estamos e elas não são mediadoras de uma profissão ou de um ordenado… são sim um desafio… uma razão para o nosso viver…
 
São estes estágios que me fazem perceber que de facto quero mesmo ser professora e que darei tudo por isso…
 
Parece que foi há poucos dias que entrei naquela sala de aula receosa das crianças, da professora cooperante, da escola, do bairro… enfim… temia tudo o que agora adoro e que repetia de bom grado!
 
Era o acordar cedo enquanto ainda todos dormiam e conduzir ao som da minha rádio favorita até ao bairro onde mal lá entrava, trancava as portas e colocava a mala atrás do meu banco (um pequeno ritual já automatizado).
 

As funcionárias da escola tinham sempre um “Bom dia” e um sorriso muito especial naquela hora da manhã. Cumprimentava sempre todos os outros colegas estagiários e depois chegava à sala de aula…
 
Silenciosa, devidamente limpa e arrumada… (mas não por muito tempo)…
 
Começava a arrastar as mesas e cadeiras de maneira a colocar as mesas em U…
 
Se era eu a dar aulas, colocava a data no quadro com a letra que eu melhor conseguia fazer…
 
Depois ia aparecendo um ou outro aluno que me perguntava o que íamos fazer, ou se íamos dançar ou quem ia dar aula…
 
Logo a seguir chegavam as minhas colegas que foram essenciais para o bom ambiente que se instaurou durante o estágio. Vinham sempre ansiosas ou porque uma de nós ia dar aulas e elas queriam apoiar, ou porque queriam mostrar planificações e materiais ou porque simplesmente tinham receio de que a professora tutora fosse assistir às nossas aulas…
 

Depois chegava a professora cooperante … Sim senhora… uma PROFESSORA a sério… Uma pessoa cheia de sentimentos para com os alunos e alguém que se preocupava que os alunos aprendessem… (há muitos professores que só pensam em ensinar)… Uma professora que não desbobina matéria… uma professora que trabalha com a actualidade e o programa do 1ºciclo… Não há nada que não seja ensinado, que não esteja inserido num contexto… A matéria é explorada e falada com propósitos e de forma oportuna… Para mim isto é que é qualidade de ensino…
 
Aquela sala de aula… era um “museu” de conteúdos, trabalhos dos alunos, fotografias de visitas de estudo e muito muito calorosa…
 
Entretanto soava a campainha… os alunos corriam para a sala de aula e nós entregávamos a planificação à professora cooperante (que tantas horas levava a fazer…) , distribuíamos as grelhas de avaliação pelas colegas que não iam intervir, dispúnhamos o material que íamos usar na secretária da professora e púnhamos uma planificação de parte para o caso da professora tutora ir assistir à nossa intervenção.
 

E depois… depois era como um conto de fadas… fizemos viagens com historias sobre o Sol e a Lua, viajamos até o sistema solar, vimos uma animação das fases da lua, visitámos os vários países lusófonos, ouvimos os hinos de cada país, cantámos o hino nacional, dançámos dança tradicional do Alto Alentejo, desenhámos cartazes sobre a Primavera, fizemos problemas, divisões, multiplicações, falámos do 25 de Abril, escrevemos empurrando a nossa imaginação para sítios nunca antes sonhados…
 
Foi como um sonho… foram momentos que nunca pensei viver…
 
E os comentários dos alunos, as reacções, as expressões que aqueles olhinhos despertavam… Foi algo que não dá para passar para o “papel”…
 
É bom ser criança! É belo aquela ingenuidade e inocência que tanto nos ensina…
 
À hora do lanche ia sempre com as minhas colegas ao café… andávamos sempre com um cansaço saudável… falávamos, riamo-nos, divertíamo-nos, combinávamos as aulas e comentávamos as reacções e comportamentos dos alunos.
 
Foi demasiado bom para me esquecer…
Se me dissessem que eu iria ser tão feliz neste estágio eu não ia acreditar…
 

Toda esta magia, esta alegria, termina hoje… Hoje volto a ser apenas a aluna da Eselx que quer ser professora… se calhar uma professora sem emprego…
 
Volto a trabalhar e a estudar apenas para ter uma nota… ou seja faço algo sem ter um objectivo especifico… não estou a dedicar nada a ninguém…
 
Mas para me animar penso que é para viver muitos momentos como este que vivi na Cova da Moura, que estou a tirar o meu curso… e é esse pensamento que está por trás de todos os 15,16,17 e 18 que eu tiro no curso… pois não há mais nada que me faça querer brilhar do que fazer os outros felizes…
 
É pelo fio de esperança de ficar colocada que me dedico e dou tudo por tudo pelo meu curso…
 
É por querer dar algo de mim aos meus futuros alunos que quero ser professora… é em nome das crianças que me esforço e que suporto noites mal dormidas, desgostos, professores irritantes e notas injustas…
 
É pelas crianças que eu quero ser professora!
 
  


I feel: nostalgica
Estou a ouvir...: O rir dos meus meninos...

Publicado por... anynhasblog às 16:16
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2 comentários:
De JA a 18 de Maio de 2009 às 19:28
Olá! Vejo que passou por uma experiência que a marcou muito na Cova da Moura. Interessei-me em particular porque estou a colaborar numa pesquisa sobre o crescimento e desenvolvimento da criança cabo-verdiana em contexto de imigratórios. Dado à escassez de recursos, optei por estudar a criança no bairro da Cova da Moura. Se fosse possível, gostaria de saber a sua percepção sobre a função da criança no seio da família. Durante o tempo que frequentou o bairro, tem alguma ideia se havia diferenças na forma como a criança era vista pelos pais (ambos sexos) e se estes faziam diferença entre crianças do sexo feminino e do sexo masculino, em termos da forma como foram educados.
Obrigada JA


De Ricardo Cruz a 17 de Março de 2011 às 00:44
este teu post, para alguém, como eu, que tem o filho num infantário faz-me sentir emocionado...
obrigado pelo teu esforço, talvez se todos os professores tivessem esta mentalidade, com certeza que o país hoje não estaria na crise que está.
beijinhos.


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